• Paulo Guimarães

Feijoada Fraterna na Guayi

O universo é generoso, abundante e próspero. Uma vez que entramos em seu fluxo fraterno doando recursos, afetos e saberes, este presente nos é retornado de forma ainda mais preciosa.

Tudo começou quando a professora Neli Ortega resolveu doar vinte exemplares de seu livro “O fio do Trabalho Manual na tessitura do Pensar, Sentir e Agir Humanos: e seus princípios no Ensino Waldorf do 1º ao 5º ano” para venda em benefício da escola. A ideia era vendê-los a R$ 35 reais, angariando R$ 700,00. Mas, e se ao invés de vender, aplicássemos o princípio da economia fraterna? Como? Vamos oferecer estes livros para pessoas, com transparência, informando que o dinheiro será para ajudar o fundo de caixa de uma Escola Waldorf sem fins lucrativos. E cada um deveria doar aquilo que sentisse e que pudesse. E o resultado: arrecadou-se mais que o dobro!

Uma família amiga de pais da escola se interessou pelos livros, e fez uma proposta muito interessante. Tinham recém comemorado o aniversário de um dos filhos com uma deliciosa feijoada, famosa entre seus amigos. Fizeram um caldeirão de feijoada e os amigos passavam no estilo drive thru, parabenizavam a criança à distância e pegavam uma marmita de feijoada. Esta família achou muito bacana o movimento com os livros e se ofereceu para doar um caldeirão de feijoada, cuja venda seria também revertida para a escola – a fraternidade gerou a fraternidade, uma onda contagiante sendo propagada. Seria mais fácil usar o dinheiro adquirindo os livros, mas a família preferiu cozinhar com amor um prato de sua especialidade, e comprou todos os ingredientes. Quando fizeram a proposta a Guayi achou que não seria viável por conta da pandemia. Como fazer a logística? Entretanto, como algumas famílias da escola pediram desconto na contribuição mensal por conta da situação geral, calculou-se quanto seria este desconto até o final do ano... e deu R$ 3.200,00. Então pensou-se: como uma ação para ajudar estas famílias, que tal botar em prática a ideia da feijoada? E aí veio outro movimento fraterno: a ação dos livros chegou à ação da feijoada e essa ação gerou ação fraterna para estas famílias.

Foi feito um chamado para a comunidade Guayi, informando que a arrecadação (não venda) desses valores (50 porções de feijoada) seria destinada para esta finalidade. Mais uma vez o convite foi para contribuições de toda sorte. Alguns pais se envolveram e fizeram os acompanhamentos: arroz, farofa, couve, torresmo. Outros buscaram a feijoada, doaram as embalagens... Todos juntos foram fazendo esse movimento, que se somou à venda fraterna dos produtos da horta da Guayi, que gerou mais R$ 40,00.

“Foi muito bonito e emocionante, a fraternidade envolvendo todo o movimento. Uma família externa, sem filhos na escola, atuando junto, dentro da nossa comunidade. Muito lindo! Todos se ajudando, logramos arrecadar cerca de R$ 3.500,00! Ou seja, superou-se a expectativa!”, comemora Jefferson Reis, pai da Guayi que coordenou as ações, que continua:

“Em um único movimento, com envolvimento de uma família amiga de fora da comunidade escolar, num gesto fraterno, para atender uma demanda fraterna, arrecadou-se mais que a necessidade inicial e ainda fez a energia da escola rodar! Muitas famílias passaram na escola (drive thru), todo mundo de máscara. A família chegava, pegava a feijoada. Alguns nem desceram do carro, quem desceu manteve as medidas de proteção! E todos adoraram a feijoada!”



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